16 abril 2010

Programa de Estabilidade e Crescimento (?)

Basicamente, adiou-se o TGV (a custo!), congelaram-se os salários, aumentaram-se, directa e indirectamente, os impostos e fala-se em privatizações (que também dão pano para mangas).

Há umas semanas atrás, a imprensa encarregou-se de nos chamar a atenção para o bem que as instituições internacionais disseram do nosso PEC. Em letras pequenas, nas páginas interiores dos jornais, vinham normalmente os alertas e as sugestões que lhe foram apontadas. Essas não interessavam para muito (ou interessavam?) pois, conforme nos diz o nosso PM, “luz verde é o mais importante, avisos são normais”. À União Europeia interessava restabelecer a confiança nos mercados, depois do caso grego, e para o nós nada como ser apontados como um bom exemplo.

Acontece que se começou a perceber que talvez não resultasse assim tão bem. As previsões são quase uma maravilha, só falta saber como vamos chegar lá. Como vamos crescer? Porque é que vamos crescer? A UE tem dúvidas e eu também. Se não crescermos, as receitas de impostos diminuem e a única (e sempre mais fácil) solução que me ocorre é o aumento das taxas, que só contrairá mais e mais a economia.

A Comissão alertou para a necessidade de medidas que "aumentem a produtividade e potenciem o crescimento do PIB de forma sustentada para assim incrementar a produtividade e reduzir os desequilíbrios externos" no mesmo dia em que o aprovou, mas disto não se falou.

O facto é que a situação portuguesa não se deve unicamente à crise mundial mas também a quase uma década de fraco crescimento económico e fraquíssima competitividade. Se continuarmos a atacar apenas os sintomas sem ir à verdadeira causa do problema, tenho dúvidas que este se resolva.

Segundo esta notícia:

http://economico.sapo.pt/noticias/oposicao-exige-respostas-a-socrates-sobre-o-pec_86932.html,

a oposição está a fazer o seu trabalho. O PSD e o CDS poderão solicitar que Sócrates volte à negociação no debate quinzenal de hoje, dia 16 de Abril. Não seria de todo mal pensado, visto as medidas que temos e, essencialmente, aquelas que não temos. Por outro lado, há a necessidade de pelo menos se pensar num plano B, apenas para o caso de este se mostrar um fracasso, caso as previsões em que assenta seja, como tudo indica que aconteça, optimistas demais.

Esperemos então para ver.

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