27 maio 2011

Verbos

Gosto da cumplicidade. Do sorriso. Gosto de não pensar.
Gosto do altruísmo. Da indiferença da diferença. Gosto da loucura. Gosto do cheiro. Gosto do “tanto faz”.
Gosto de ler, sem palavras.
 Gosto da lucidez. Da lucidez do egoísmo. Gosto da saudade. Gosto de não me fazer entender. Gosto do vento de sul.
Gosto de sonhos irrealizáveis, amanhã.
Gosto da surpresa. Gosto do desafio. Gosto da perspicácia.
Gosto do olhar. Do calor. Do corpo. Da alma.
Gosto de praças com história. De estórias. Gosto de correr. De viajar. Gosto da mudança. Da simplicidade. Do desejo. Gosto do contra. Gosto de querer.
Isto é viver?

José.

25 março 2011

Tass!

Isto da democracia representativa não é para nós, dá trabalho. Os senhores do 25 de Novembro enganaram-se, e só porque mais vale uma dita dura dura do que um regime democrático falido.

Está tudo louco neste país. Mas o fim da macacada não é o FMI, é esta nossa obsessão pelo "eles" e o "nós".

Agora escolham, ou um 25 de Abril (para pouparmos uns trocos nas viagens a Cuba para fazer operações às cataratas), ou um Salazar (para pouparmos uns trocos com o aumento dos preços dos cereais)...

20 fevereiro 2011

Coisas que nunca deverão mudar em Portugal

"Portugueses: 2010 tem sido um ano difícil para muitos; incerteza, mudanças, ansiedade sobre o futuro. O espírito do momento e de pessimismo, não de alegria.  Mas o ânimo certo para entrar na época natalícia deve ser diferente. Por isso permitam-me,  em vésperas da minha partida pela segunda vez deste pequeno jardim, eleger dez coisas que espero bem que nunca mudem em Portugal.

1. A ligação intergeracional. Portugal é um país em que os jovens e os velhos conversam - normalmente dentro do contexto familiar. O estatuto de avô é altíssimo na sociedade portuguesa - e ainda bem. Os portugueses respeitam a primeira e a terceira idade, para o benefício de todos.  
 
2. O lugar central da comida na vida diária.  O almoço conta - não uma sandes comida com pressa e mal digerida, mas uma sopa, um prato quente etc, tudo comido à mesa e em companhia. Também aqui se reforça uma ligação com a família. 
 
3. A variedade da paisagem.  Não conheço outro pais onde seja possível ver tanta coisa num dia só, desde a imponência do rio Douro até à beleza das planícies  do Alentejo, passando pelos planaltos e pela serra da Beira Interior. 
 
4. A tolerância. Nunca vivi num país que aceita tão bem os estrangeiros. Não é por acaso que Portugal é considerado um dos países mais abertos aos emigrantes pelo estudo internacional MIPEX. 
 
5. O café e os cafés. Os lugares são simples, acolhedores e agradáveis; a bebida é um pequeno prazer diário, especialmente quando acompanhado por um pastel de nata quente. 
 
6. A inocência.   É difícil descrever esta ideia em poucas palavras sem parecer paternalista; mas vi no meu primeiro fim de semana em Portugal, numa festa popular em Vila Real, adolescentes a dançar danças tradicionais com uma alegria e abertura que têm, na sua raiz, uma certa inocência. 
 
7. Um profundo espírito de independência. Olhando para o mapa ibérico parece estranho que Portugal continue a ser um país independente. Mas é e não é por acaso. No fundo de cada português há um espírito profundamente autónomo e independentista. 
 
8.  As mulheres. O Adido de Defesa na Embaixada há quinze anos deu-me um conselho precioso: "Jovem, se quiser uma coisa para ser mesmo bem feita neste país, dê a tarefa a uma mulher". Concordei tanto que me casei com uma portuguesa. 
 
9.  A curiosidade sobre, e o conhecimento, do mundo. A influência de "lá" é evidente cá, na comida, nas artes, nos nomes. Portugal é um pais ligado,  e que quer continuar ligado, aos outros continentes do mundo.       
    
10.  Que o dinheiro não é a coisa mais importante no mundo. As coisas boas de Portugal não são caras. Antes pelo contrário: não há nada melhor do que sair da praia ao fim da tarde e comer um peixe grelhado, acompanhado por um simples copo de vinho. 
 
Então,  terminaremos a contemplação do país não com miséria, mas com brindes e abraços. Feliz Natal."


Alexander Ellis, ex-Embaixador britânico em Portugal

10 dezembro 2010

The people who pay the highest taxes get...

Suppose that every day, ten men go out for beer and the bill for all ten comes to $100. If they paid their bill the way we pay our taxes, it would go something like this:
The first four men (the poorest) would pay nothing.
The fifth would pay $1.
The sixth would pay $3.
The seventh would pay $7.
The eighth would pay $12.
The ninth would pay $18.
The tenth man (the richest) would pay $59.
So, that's what they decided to do. The ten men drank in the bar every day and seemed quite happy with the arrangement, until one day, the owner threw them a curve. 'Since you are all such good customers, he said, 'I'm going to reduce the cost of your daily beer by $20. Drinks for the ten now cost just $80.
The group still wanted to pay their bill the way we pay our taxes so the first four men were unaffected. They would still drink for free. But what about the other six men - the paying customers? How could they divide the $20 windfall so that everyone would get his 'fair share?' They realized that $20 divided by six is $3.33. But if they subtracted that from everybody's share, then the fifth man and the sixth man would each end up being paid to drink his beer. So, the bar owner suggested that it would be fair to reduce each man's bill by roughly the same amount, and he proceeded to work out the amounts each should pay.
And so:
The fifth man, like the first four, now paid nothing (100% savings).
The sixth now paid $2 instead of $3 (33% savings).
The seventh now pay $5 instead of $7 (28% savings).
The eighth now paid $9 instead of $12 (25% savings).
The ninth now paid $14 instead of $18 (22% savings).
The tenth now paid $49 instead of $59 (16% savings).
Each of the six was better off than before. And the first four continued to drink for free. But once outside the restaurant, the men began to compare their savings.
'I only got a dollar out of the $20,'declared the sixth man. He pointed to the tenth man,' but he got $10!'
'Yeah, that's right,' exclaimed the fifth man. 'I only saved a dollar, too. It's unfair that he got ten times more than I!'
'That's true!!' shouted the seventh man. 'Why should he get $10 back when I got only two? The wealthy get all the breaks!'
'Wait a minute,' yelled the first four men in unison. 'We didn't get anything at all. The system exploits the poor!'
The nine men surrounded the tenth and beat him up.
The next night the tenth man didn't show up for drinks, so the nine sat down and had beers without him. But when it came time to pay the bill, they discovered something important. They didn't have enough money between all of them for even half of the bill!
And that, boys and girls, journalists and college professors, is how our tax system works. The people who pay the highest taxes get the most benefit from a tax reduction. Tax them too much, attack them for being wealthy, and they just may not show up anymore. In fact, they might start drinking overseas where the atmosphere is somewhat friendlier.
David R. Kamerschen, Ph.D.
Professor of Economics, University of Georgia

30 novembro 2010

Sabedoria Popular

Desde pequena que digo, e oiço dizer, que “o contrário do amor não é o ódio mas sim o desprezo”. Sabedoria popular. Nunca pensei muito nisso mas repetia-o com convicção sempre que o assunto em causa mo permitia. “O contrário do amor não é o ódio mas sim o desprezo”! Encontrei finalmente um argumentário à altura.

Há uns dias, percebi que precisava de ler e fui à Fnac. Leve quatro, pague três… irresistível! Um dos livros chama-se Blink! e é escrito por Malcolm Gladwell, considerado por alguns o “pensador mais influente do Mundo”. Interessante, chamou-me a atenção. Estou convencida, pelas primeiras cinquenta páginas, que o objectivo é, mais que convencer, mostrar ao leitor, através de argumentos teóricos e exemplos/experiências científicas, que as melhores decisões e avaliações podem ser as efectuadas nos primeiros instantes, ao invés daquelas que pensamos de forma ponderada, demorada e racional. Instinto? Não, tem a ver com um tal de “inconsciente adaptativo” e uma série de ligações entre uma série de neurónios. Perdoem-me a ignorância.

Ora bem, John Gottman é especialista em psicologia e matemática, autor do livro The Mathematics of Divorce. Assim sendo, levou a cabo inúmeras experiências e chegou à conclusão que podemos reconhecer com uma elevada percentagem de precisão os casais que se vão divorciar num futuro de curto/médio prazo através de observações de pequenos vídeos (3 a 15 minutos) em que estes discutem um qualquer assunto. Basta “cortar em fatias finas” (não vou explicar. Leiam!). Procurando sinais específicos, como o típico revirar de olhos, e associando-os a determinados SPAFFs (afectos) – defesa, reserva, choro, neutralidade, raiva, aversão ou desprezo - , facilmente percepcionamos padrões de personalidade e relacionamento que, conjugados, nos possibilitam concluir se essas duas pessoas se vão ou não “suportar” durante muito tempo.

Ora bem, de acordo com o autor, o desprezo é o factor X. O desprezo, intimamente relacionado com a aversão, implicam tal como ela a rejeição total de uma pessoa. “O desprezo é especial. (...) é o sinal individual mais importante de que o casamento está com problemas” - continuado, levará indubitavelmente, mais depressa ou mais devagar, ao final de uma relação.

Agora, faz todo o sentido.

09 novembro 2010

Quando ficamos só num ponto.

Em tudo. É difícil perceber qual o espaço que vai entre o fim e o início. Fora os trocadilhos com o princípio do fim, ou o fim que nem chegou a ser um principio. Qual é o tempo que decorre? Temporalmente. Tem marcos?

Depois perguntam se o início de uma coisa tem de ser o fim de qualquer outra. Procuram-se respostas. Sim, tem tudo a ver com isso. Com tudo, precisamente. Do mais complexo, do mais racional. Do mais simples, do mais emotivo. Da conjugação dos dois.

Termina o dia, começa a noite. Termina a noite, começa o dia. Tudo tem um fim. Volto ao início deste texto. Não cheguei ao fim da questão inicial. Qual é o espaço entre os dois?

(já tinha saudades disto. E de outras coisas também)

16 outubro 2010

Uma palavra:

Ridículo!

Bem entendo esta necessidade de Portugal querer apanhar o comboio da frente na Europa, é mau ficar sempre em último. De todas, a que gostei mais foi a de apontarmos ao défice da Alemanha, com 1/3 da força económica industrial, e com menos de metade do crescimento económico nos últimos anos.
Portugal disse que o ia fazer, os mercados riram-se/especularam. Óbvio. Portugal disse que o ia fazer, no curto-prazo, os mercados especularam. Baixar um défice de quase 10% para 4%, em dois anos é tarefa árdua, e exige sacrifícios. Mas só mesmo por isso, por ser de curto-prazo. Para quê estar a sonhar/pensar, com mudanças estruturais na nossa economia (o mesmo é dizer, na organização do estado), quando o objectivo a cumprir é já para o ano? Ninguém. Receita em cima!

Entre as muitas coisas que falharam, esta foi uma delas, criar expectativas no mercado. Espanha quando acordou para o problema, ainda dizia que ia ter um défice de 9% em 2010, e 6% em 2011. Nesta altura já Portugal prometia tudo aos mercados. E o que fez Espanha? Mexeu-se, para o objectivo que tinham, e Portugal?

Mas quando comecei a escrever queria mesmo era dizer isto: José Sócrates agora ri para o político que lhe diz "Eu bem o avisei que vinha aí a crise", porque acha muito fácil prever uma coisa, agora, depois de ter acontecido. Ao mesmo tempo queria que o PSD pudesse prever um orçamento que o Governo iria apresentar (parece que ainda não está), e o aprovasse. Existe aqui algum padrão? Sim, esquizofrénico.

Voltando a Espanha. O que é que fizeram por lá com o orçamento? Anteciparam a sua apresentação e discussão. Em Portugal? Atrasa-se logo na entrega para haver menos tempo para discutir.
Mas não era o Governo que dizia que tinham de se acalmar os mercados? Isso seria apresentar um orçamento geral do estado mais cedo, que fosse discutido por todos, e aceite pela maioria. O que se fez: mandaram-se umas postas num dia de jogo do benfica, apostou-se no confronto político com oposição, e assobiaram para o lado. Só assim se explica que até o prazo máximo para a sua entrega tenha sido falhado...

Ridículo.

28 setembro 2010

"O país mudou!"

Depois de muitos anos (e muitas desculpas), a frase mais marcante deste governo, e principalmente deste primeiro-ministro é mesmo esta: "O país mudou!"

Admitindo que os senhores tiveram realmente azar na altura que governaram o país, pelas diversas condicionantes externas, uma coisa também tem de ser dita, não estiveram à altura do desafio.

Umas notas soltas, porque o país mudou mesmo.

O PEC foi aprovado com a opinião unânime que era apenas um programa de estabilidade e não continha qualquer plano de crescimento. As agências, os mercados, e os financiadores externos criticaram-nos por isso. Opinião geral (já com duas décadas): é necessário reduzir a despesa do estado e aumentar a competitividade do país.

Uns meses depois, e muitos, muitos milhões depois (que todos vamos pagar mais tarde), a solução é aumentar os impostos. O IVA? Porquê? Porque torna a nossa economia mais competitiva? Como? Não sei. Parece que penalizar o consumo e a competitividade dos nossos produtos, é a solução. Confere.

Mas confere ainda mais quando chegam uns senhores a Portugal, daqueles que fazem previsões todos os meses, e todos os meses avisam que Portugal tem de reduzir a despesa e apresentam estas soluções. Faltou a redução da despesa, um pequeno lapso.

Só mais duas notas:
1 - O Estado já começou a poupar. Uma, das muitas, formas de gastar dinheiro em instituições públicas é contratar empresas de consultoria para irem "validar" (impor), por meio de um qualquer estudo de milhões de euros a estratégia (normalmente de redução de um qualquer custo, leia-se, reestruturação de serviços/despedimento de pessoal), já delineada pelo seu Conselho de Administração. Espero que a OCDE tenha feito isto de graça, porque acho que aquele da educação ainda não foi pago (e caro que foi...).

2 - Se não foi um favor, então foi um pré-anúncio do FMI. "O país mudou!"

Não resisto e vou acrescentar outro.

3 - Outro senhor, desses que mandam bitaites e toda a gente ouve, dizia: Portugal tem de comunicar melhor com os mercados.

Uma pergunta que se costuma usar para atestar a credibilidade de uma pessoa: Compraria um carro em segunda mão a este senhor (um qualquer, mas imagine o primeiro-ministro José Sócrates, que esta semana respondeu num evento tecnológico, a sorrir: este é o Portugal real)? Se o exemplo não chegar, pergunte ao outro primeiro-ministro, o que em Nova Iorque disse que se demitia. Conhece outro?

O país mudou. E bem podíamos usar o tão conhecido: Sorrindo às dificuldades (mas só porque este dia foi uma verdadeira fantochada).

18 setembro 2010

Da semana do amadorismo à semana da mobilidade

Futebol. Economia. Soberania nacional.

A semana que passou podia muito bem ser classificada como a semana do amadorismo. Das emissões de dívida à viagem de Gilberto Madaíl a Madrid podemos tirar portanto estas três conclusões:

1 - somos geridos, do Futebol à Economia, por amadores.
2 - Quem manda na FPF neste momento é Florentino Pérez.
3 - Quem manda (há muito tempo), na economia nacional, são as agências de rating (aqui fica o parêntesis de que aqueles que têm a capacidade para a destruir, e neste ponto com elevada eficácia, continuam a ser os mesmos).

Na semana da mobilidade, que devia assinalar também essa mobilidade europeia, daqui apelo a que esses grandes fazedores/gestores/gastadores aproveitem a ida de Gilberto Madaíl a Madrid para tentar recrutar alguns recursos para a sua área. Não custa nada pedinchar mais um pouco, e eles já sabem como fazê-lo.

15 setembro 2010

Verdades ou perspectivas?

Há quem diga que não há verdades absolutas... existem perspectivas, opiniões e argumentos, não mais que isso.

Na realidade, costumo concordar com este ponto de vista. Costumo, eu própria, usar a ideia para moderar, terminar e por vezes até começar discussões. De certa forma, facilita as coisas. Aceitando-a desde o início, torna-se mais simples argumentar contra o que nos dizem (e aceitá-lo) sem ferir susceptibilidades: não estamos a desmentir ninguém pois simplesmente não há verdade alguma que possamos contradizer! Existe uma infinidade de opiniões e cada um tem direito à sua, ponto final. Soa perfeito.
O único problema que me surge é que não chegamos a um dos objectivos essenciais de uma discussão: a conclusão. Aliás... nem chega bem a ser uma discussão (pelo menos não na minha acepção do termo...) mas apenas aquilo a que chamamos "troca de ideias", literalmente. Estou a divagar...
Bom, aceitando a ideia acima, por outro lado, também se torna relativamente simples deturpar factos, acrescentar pontos aos contos, distorcer realidades. Assustador.

Pois bem, a minha conclusão é que a afirmação com que comecei é unicamente mais uma prova do seu próprio significado: não é uma verdade absoluta que não haja verdades absolutas. Existem! Há verdades que não dão espaço a qualquer argumentação. Há factos que não precisam sequer de descrição, de tão óbvios e auto-suficientes que são. E há sentimentos e sonhos e intuições...

Já me alonguei. Ficou a mensagem, mais um desabafo.

11 setembro 2010

Utopia?

Gostava de acordar numa cidade em que o primeiro som da manhã fosse mais agradável que a buzina do senhor do carro preto que acordou atrasado e mal disposto, pelo que decidiu descarregar no vizinho que estacionou o carro 5cm mais à esquerda do que devia. Gostava que a senhora do café lá de baixo me retribuísse o sorriso e os bons dias, todas as manhãs. Gostava que não me empurrassem (tanto) no metro. Gostava de morar numa cidade em que as pessoas se preocupassem em embelezar as ruas e as casas e a si próprias. Gostava de conhecer uma cidade em que as pessoas se respeitassem e aceitassem umas às outras...
Acho que já passei a ideia!

A questão é: será assim tão utópico? Somos muitos. Somos muitos e muito diferentes, é verdade. Mas também é verdade que não conheço ninguém que goste de buzinas e sítios feios.

Então... porque é que a realidade é esta que conhecemos?

Suponho que muitas pessoas já tenham ouvido falar do dilema do prisioneiro. Não resisto a encaixá-lo aqui!
Muito resumidamente, a conclusão é que, num cenário de cooperação, ganhamos todos. Óbvio! No entanto, e visto que à partida não há controle de quem coopera ou não, um cenário desse tipo deixa espaço a que qualquer pessoa, por desleixo ou má vontade, se afaste do "acordo".

Imaginemos: na melhor das hipóteses, ninguém deita lixo para o chão; ora, se eu deitar o papel da minha pastilha no chão... sou apenas eu! É só um. Poupo trabalho e continuo a usufruir da limpeza que os outros mantêm. Qual é o problema, então? Bem, a questão é que, no limite, todos pensamos assim e, a certa altura, todos deitamos tudo no chão. Por outro lado, se tu deitas, eu não o vou fazer? Que tontice, trabalho para ti?! Não.

Sem controlo nem incentivos visíveis, muito embora todos saibamos que todos ficaríamos a ganhar num cenário de cooperação, ninguém o fará e, a prazo, ficamos indubitavelmente pior. É óbvio! Tão óbvio que se torna estúpido ter que escrevê-lo.

Esta linha de pensamento é válida para o lixo, para os empurrões, par os sorrisos, para as buzinas e para quaisquer outras situações que possamos imaginar.

Volto a perguntar: porque é que a realidade é, de facto, esta que conhecemos? Parece-me bem mais ridícula a situação que temos do que seria utópico um cenário diferente. Estou errada?




... "You must be the change you want to see in the world."
Gandhi.

06 setembro 2010

Fiesta

"Uma geração passa, e outra geração vem; mas a terra para sempre fica ... O sol sempre nasce, e o sol se põe, e apressa-se para o lugar onde nasceu ... o vento ronda ao sul, e volta a rondar ao norte; e o vento continuamente circula, e o vento volta de novo segundo os seus circuitos ... Os rios correm para o mar; e o mar não transborda; ao lugar de onde os rios vieram, aí voltam mais uma vez."

ECLESIASTES

There are moments in a match...



Semáforos. Apanhar o metro. Apanhar o autocarro. A fila do supermercado. A fila da loja do cidadão. Esperar pelo elevador. É o dia-a-dia.

Nem queria escrever sobre isto, até porque cheguei ao fim e achei que esta associação não fazia sentido, e fiquei contente por tudo depender da sorte ou do azar - se isto fosse escrito com caneta e papel riscava este parágrafo até não dar para ver uma palavra (era muito mais bonito escrever sobre outras coisas. E se eu desse este passo para a esquerda em vez de ser para a direita? E se eu desta vez optasse pelo "Não!"? E se...). Olhamos para a nossa economia, para a justiça, para a forma como gostamos de nos enganar uns aos outros (e temos prazer com isso, para no final reclamar com toda a gente), para aqueles que escolhemos para "gerirem" aquilo que é de todos (chega até ser ridículo escrever isto, porque para além de ser um lugar comum identificar estes problemas, até as pessoas responsáveis por o fazerem, o dizem), e percebemos que as soluções dependem mais de um acaso do que de outra coisa qualquer, para a qual não encontro o nome certo. O dia-a-dia. Que seja a nossa sorte...

Para aqueles que dormem descansados, mas passam os dias a barafustar na televisão, nos jornais, em conversas de café: Estejam tranquilos, pelos vistos não depende de vocês.

Para os outros, façam qualquer coisa. Ou, emigrem!

A parte maior foi mesmo o "aparte" deste post, na verdade só queria mesmo era dizer (gritar) isto antes de ir dormir:

F****-**!!!! Bola pra'frente!!!

03 agosto 2010

Novidades?

Comecei a estagiar há um mês. Obviamente, deixei de ter o tempo que tinha anteriormente, pelo que tive que abdicar de alguns hábitos, digamos assim, para manter apenas os indispensáveis.
Uma das coisas que deixei de fazer foi a ronda diária pelas páginas de alguns jornais... Hoje entrei no site do Expresso. Novidades? Vejamos: incêndios, a maior maré negra de sempre no Golfo do México, jogadores de futebol transferidos por quantias astronómicas e inexplicáveis (que me envergonham a ponto de nem querer transcrevê-las!) e um grande destaque ao caso Freeport - por curiosidade, entrei no dossier disponibilizado pelo jornal e... constatei que o primeiro artigo remonta a Janeiro de 2009 (!) - fazem a página inicial. Mais abaixo, tive o prazer de descobrir que existe uma senhora de 2,06 m na Alemanha... vi uma fotografia, inclusive. Além disso, também descobri que "o orgulho nazi está a crescer na Mongólia"... e isto nem comento. Umas quantas mortes compõem o quadro, além das habituais disputas partidárias... hoje, nem para isto tenho paciência.
No jornal de negócios, entusiasmei-me com um artigo de Bruno Frey, segundo o qual "as pessoas são mais felizes do que se pensa"... novidade: Epaper - serviço pago necessário para ler o bom do artigo.
Desisto. Vou dormir.

12 julho 2010

Reflexão.


"Quando uma pessoa quer ser ela própria, não pode, em abono da verdade, ter uma costela "política"."
Haruki Murakami